Reportagens

Interação com animais resgata afetividade humana

Texto: Vinícius Paiva

Fotos: divulgação

Observando a solidão de pessoas idosas e o descaso com animais abandonados nas ruas de Goiânia, três estudantes do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Goiás (UFG) decidiram dar vida ao Projeto Alegria Terapia Animal (Pata), que utiliza a zooterapia para melhorar o bem-estar de idosos. A técnica consiste na interação entre seres humanos e cães e gatos, sob a ótica terapêutica e educacional, assim,  o bichinho se torna um mediador no tratamento. Mas essa relação deve ser interativa. Faz-se necessário brincar, passear, pegar o bicho no colo entre outras ações para que os benefícios se tornem constatáveis na saúde do paciente, a exemplo da nova vivência do Seu João. “É ruim quando a gente fica sozinho aqui, né!? Quando o pessoal e os animaizinhos do projeto vêm é uma festa, eu fico alegre e me sinto bem”.

O método se despertou na Bélgica, no final do século 19, quando médicos notaram que pacientes com algum tipo de deficiência mental se socializam melhor a partir do convívio com animais. Os pets participantes são selecionados por adestradores especialistas em Comportamento Animal, profissionais aptos para identificar se determinado bicho apresenta perfil ideal para ser um pet-terapeuta. Viviane Henrique, uma das idealizadoras da ação, afirma: “é feita uma avaliação comportamental minuciosa na seleção, e, posteriormente, inicia-se o trabalho de adestramento para que eles possam colaborar nos exercícios que fazemos no asilo”. Além disso, os animais ficam no ambiente por um tempo limitado para não sofrerem em demasia com os efeitos do estresse e possuem acompanhamento veterinário constante.

Lupe, o cãozinho do projeto, faz sucesso no asilo. Ele foi jogado para fora de casa quando tinha apenas um ano e foi resgatado pela ONG Vida Lata. Após passar um tempo em um lar temporário, Lupe foi adotado pela sua atual família, e hoje brinca e ganha petiscos e carinho dos idosos. Já Madonna, a gatinha, também salva das ruas anteriormente, é muito amada e se sente em casa enquanto está no asilo. Ela proporciona momentos de afeto e amor aos velhinhos e em troca recebe muitos abraços e aconchego. Uma relação mútua de amigos que se cuidam.

Projeto

O Pata foi criado pelas estudantes Beatriz Cristina, Rosane Almeida e Viviane Henrique para a Olimpíada de Empreendedorismo Social da UFG, em 2016. As alunas buscaram mostrar como a adoção de animais também é útil ao ser humano. As visitas ocorrem mensalmente, com boa aceitação dos idosos. O asilo Solar Espírita Apóstolo Tomé possui 33 moradores com doenças e limitações específicas, como depressão, deficiência física, surdez Alzheimer. O diálogo entre os próprios moradores do local nem sempre acontece ou é possível, portanto a execução das dinâmicas do projeto resulta em um maior nível de interação social.

Voluntários

O PATA ainda não possui apoio financeiro, mas para se voluntariar o pré-requisito principal é o amor. “Temos uma carência muito grande de voluntários na área de Fisioterapia, Fotografia e Musicoterapia, mas não é necessário ser estudante ou profissional para se voluntariar. Também não é necessário se encaixar numa das áreas específicas, o mais importante é a disposição”, afirma Beatriz Silva. Os voluntários podem acompanhar as visita à Casa de Repouso e se envolver nas atividades realizadas. Os interessados em participar devem procurar o facebook do projeto para obter mais informações.

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